Banho de caneca e freezer emprestado do vizinho: como mulher viveu sem energia por 5 anos após vingança do ex

  • 04/07/2026
(Foto: Reprodução)
SC: vítima de violência doméstica volta a ter energia elétrica em casa após 5 anos A mulher e o filho autista que viveram cinco anos sem energia elétrica em uma casa em Criciúma (SC), como vingança do ex-marido, tomavam banho de caneca e usavam a geladeira de vizinhos para sobreviver. Ela contou que, no verão, enfrentava o calor intenso apenas abrindo as janelas. Um vizinho, de acordo com a mulher, chegou a deixar uma extensão ligada para fora da janela para que ela pudesse carregar o celular e usar pequenos aparelhos elétricos. O caso foi revelado pelo Ministério Público do Estado (MPSC) e o órgão detalhou que o homem passou a impedir o acesso ao serviço essencial após a vítima pedir uma medida protetiva contra ele, que determinou o afastamento do agressor do imóvel. O nome da vítima não foi informado para preservá-la. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp A situação se arrastava desde 2021, quando a mulher sofreu violência doméstica, e só mudou em 18 de junho deste ano, após decisão judicial determinar o restabelecimento da energia elétrica. O MPSC divulgou o caso na quarta-feira (1º). A vítima contou que demorou a acreditar que voltaria a viver uma vida normal. “Parecia que era mentira. Quando a gente viu o caminhão ali, nem parecia verdade. Vieram minha mãe e minha irmã correndo, comemorando. A gente dizia: ‘Que bênção, que bênção’. Não tem explicação. Não desejo para ninguém passar por isso. Estou muito feliz”, contou. Mulher voltou a ter energia elétrica em casa após 5 anos de represálias em Criciúma (SC) MPSC/ Divulgação Mulher aquecia água no fogão para tomar banho Durante o período sem energia, a mulher aquecia água no fogão para tomar banho e enfrentava calor intenso no verão apenas com as janelas abertas. Também dependia da ajuda de vizinhos para guardar alimentos na geladeira, carregar o celular ou usar equipamentos elétricos básicos. "Eu tomava banho em casa igual antigamente, de bacia. O vizinho me ajudou muito. Ele botou até uma extensão para botar bateria para recarregar celular. Eu tinha gaveta no freezer dele para botar carne", relatou em vídeo divulgado pelo MPSC. O caso chegou ao caso ao MP em maio através da Promotoria de Justiça que trabalha com casos de violência doméstica. Havia uma ação penal que a mulher moveu contra os sogros por violência psicológica. Na primeira audiência, ela contou toda a situação. A mulher havia ficado sem energia após o homem ser obrigado a deixar a casa. Como vingança, o agressor solicitou o desligamento da luz da residência, já que a unidade consumidora estava registrada no nome dele. Ele morreu um ano depois, mas a violência foi mantida pelos ex-sogros, que seguiram impedindo o religamento da rede. A intenção era forçar a vítima a abandonar a casa onde construiu a família e viveu por mais de 20 anos. Com isso, a mulher e o filho passaram a enfrentar uma realidade marcada por limitações diárias e constantes privações. “Eu tinha pedido ajuda já lá atrás. Eu pedi uma medida contra o meu marido, que era um alcoólatra, e com essa protetiva ele foi lá e mandou desligar a energia para me ver saindo de casa. Mas eu não saí. Vivi esse tempo todo com o meu filho autista sem energia. Às vezes o meu filho se desesperava sem energia, ia para a casa da minha mãe, mas assim fomos vivendo”, contou a mulher ao MPSC. A vítima chegou a buscar judicialmente o restabelecimento da energia. O pedido, porém, foi negado em razão de entraves relacionados à titularidade do imóvel e da unidade consumidora, já que a casa fica em um terreno com diversas residências registradas em nome de familiares do ex-marido. Leia também: Ameaças, xingamentos e assédio sexual: equipes do Samu são alvos de 570 ligações de importunação em SC Influenciador apontado por pedir vídeos sexuais de crianças em troca de moedas virtuais é preso em SC Energia elétrica foi restabelecida em junho deste ano Após saber sobre a falta de luz, o MP apresentou um pedido à Justiça. Sustentou que a privação prolongada de energia elétrica e os obstáculos criados para impedir o restabelecimento do serviço configuravam uma forma contínua de violência psicológica contra a vítima. "Não há dúvidas de que a situação presente configura, para além do constrangimento social e dos inconvenientes característicos da vida sem energia elétrica, abuso do direito de propriedade por parte dos requeridos e violência psicológica contra a mulher, passível de interrupção mediante adoção dos provimentos céleres da Lei 11.340/2006", disse o promotor de Justiça Samuel Dal Farra Naspolini. O que fazer se estiver em uma situação semelhante? Quem estiver uma uma situação semelhante à da mulher, pode acionar o Neavit pelo site do MPSC. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/07/04/como-mulher-viveu-sem-energia-por-5-anos-apos-vinganca-do-ex.ghtml


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