Promessas de Jorginho Mello: governador de SC criou programa para custear vagas em universidades e ampliou trabalho de presidiários; meta de viabilizar delegacias da mulher não foi cumprida
22/07/2026
(Foto: Reprodução) Após três anos e meio de mandato, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), cumpriu 6 das 13 promessas assumidas durante a campanha à reeleição em 2022, conforme levantamento do g1.
O projeto Promessas dos Políticos, do g1, acompanha o cumprimento de compromissos assumidos pelos candidatos a prefeituras, governos estaduais e à Presidência da República.
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Jorginho Mello é pré-candidato à reeleição.
Nesta etapa, o levantamento considera um balanço do que foi entregue entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de junho de 2026, período equivalente a três anos e meio de mandato.
Dos 13 compromissos assumidos pelo então candidato nas eleições de 2022:
6 foram integralmente cumpridos
2 foram cumpridas parcialmente, ainda com pendências
5 compromissos não foram cumpridos
O monitoramento das promessas dos políticos é feito por jornalistas do g1 de todo o Brasil desde 2015. As equipes de checagem seguem uma metodologia própria para acompanhar os compromissos assumidos pelos governantes. Veja os critérios. Quando o mandato termina, em dezembro, o levantamento é atualizado.
Veja abaixo as promessas separadas por temas:
Educação
Segurança pública
Administração
Infraestrutura
Direitos humanos e sociais
Saúde
Economia
Disponibilizar gratuitamente todas as vagas das universidades da Acafe
Em publicação nas redes sociais, foi prometida a criação de um programa para custear, a partir do 2º semestre de 2023, todas as vagas de todos os cursos das universidades que fazem parte da Associação Catarinense das Fundações Educacionais.
A promessa foi cumprida. Atualmente, as vagas do sistema Acafe (Associação Catarinense das Fundações Educacionais) são oferecidas pelo governo de Santa Catarina por meio do programa Universidade Gratuita.
Criação de 21 escolas técnicas (Etecs)
Durante sabatina na Fecomércio, foi prometida a implantação de 21 escolas técnicas, as Etecs, para qualificação de jovens, com especialização no contraturno escolar. As escolas não foram criadas nesta configuração.
O que diz o governo: Justifica que a proposta sempre foi a ampliação do número de alunos catarinenses no ensino técnico, e que, até o momento, chega a 50 mil vagas - um aumento de 316% nas matrículas de jovens entre 2022 e 2026.
Criar programa para obrigatoriedade do trabalho de presidiários
No programa de governo, foi prometido implantar, em todo o sistema prisional, o programa “Trabalho pela Liberdade”, que estabelece a obrigatoriedade de os presos trabalharem dentro e fora dos presídios, visando à reinserção social, à redução das reincidências e dos custos do Estado. O programa foi criado.
O estado estabeleceu uma política de ressocialização e, atualmente, cerca de 33% da população carcerária está envolvida em atividades laborais, com mais de 9.500 apenados em atividades internas e externas.
Criar delegacias especializadas na proteção à mulher
Em entrevista ao NSC Notícias, Jorginho Mello prometeu criar delegacias especializadas na proteção à mulher. A promessa não foi cumprida e, atualmente, o atendimento ainda acontece nas DPCamis (Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso).
O que diz o governo: Informa que estabeleceu uma rede de apoio à mulher vítima de violência com várias iniciativas, entre elas a ampliação das "Salas Lilás", que agora são 50 e garantem atendimento 24 horas para receber mulheres e filhos durante os registros de boletins de ocorrência.
Criar Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia
Em entrevista à Rádio CBN Floripa, foi prometida a criação da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia. A indicação do secretário da pasta seria feita pela Acate (Associação Catarinense de Tecnologia). A secretaria foi criada na nova reforma administrativa e passou a atuar desde fevereiro de 2023.
Não privatizar a Casan e a Celesc
Em entrevista à Rádio CBN Floripa, foi prometido que não haveria a privatização das companhias estatais de energia elétrica e saneamento básico. A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) e a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) não foram privatizadas.
Instituir a Secretaria Executiva de Políticas para Idosos
No programa de governo, foi prometida a criação da Secretaria Executiva de Políticas para Idosos, visando elaborar, desenvolver e implementar políticas públicas específicas para a população da terceira idade, através do desenvolvimento integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade civil organizada, com base na Política Nacional do Idoso e no Estatuto do Idoso. A Secretaria Executiva de Políticas para Idosos não foi criada.
O que diz o governo: Afirma que a pessoa idosa está amplamente compreendida na Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família (SAS), criada em 2023 a partir da nova reforma administrativa.
Ampliação dos parques eólicos de geração de energia
No plano de governo, foi prometida a ampliação dos parques eólicos de geração de energia por meio de ações da Celesc para incentivar novos empreendimentos. Não houve a ampliação dos parques de energia eólica. O estado segue com a mesma quantidade de empreendimentos desde 1º de janeiro de 2023, com 18 ao todo, sendo metade deles em Água Doce, o maior parque do estado.
O que diz o governo: Informa que há a previsão de R$ 3 bilhões em investimentos para contemplar novos projetos de geração de energia eólica, solar e de biomassa.
Colocar em prática programa para ampliação de linhas trifásicas de energia
No plano de governo, foi prometida a criação do Programa Santa Catarina Trifásico, que previa um investimento de R$ 1,5 bilhão para implantar 12 mil quilômetros de redes trifásicas na área rural. A promessa foi cumprida em parte: o programa foi criado e está em execução, mas o governo ainda não realizou o investimento integral nem implantou os 12 mil quilômetros de linhas previstos na proposta.
O que diz o governo: Afirma que as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) chegaram a mil quilômetros entregues em todo o estado.
Fazer restaurantes populares nos municípios grandes e médios
Durante debate na NSC TV, o então candidato prometeu fazer restaurantes populares a preço baixo nos municípios grandes e médios. Os restaurantes populares não foram implantados.
O que diz o governo: Justifica que os critérios estabelecidos pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social preveem a construção em cidades com mais de 100 habitantes e altos índices de vulnerabilidade social - perfil no qual se enquadravam 14 das 295 cidades do estado.
Implantar as carretas da saúde com especialidades médicas em regiões que não tenham hospitais regionais
Nas redes sociais, foi prometida a implantação das carretas da saúde com especialidades médicas em regiões que não tenham hospitais regionais. O objetivo é ofertar procedimentos de mamografia, ressonância, tomografia e especialidades como ginecologia. As carretas foram implantadas.
Duas Carretas da Saúde da Mulher foram implantadas em outubro de 2025. O governo informou que as unidades ofertaram mais de 6,1 mil mamografias de rastreamento e 2,7 mil ultrassonografias de mamas. Os veículos percorreram seis regiões promovendo o diagnóstico precoce do câncer de mama e ampliando o acesso aos exames.
Baixar o preço do gás natural e do GNV
Nas redes sociais, foi prometida a redução dos preços do gás natural e do GNV. O então candidato frisou "nós vamos negociar melhor na hora de comprar e investir na distribuição de um jeito mais inteligente para o gás chegar mais barato até você".
O preço do gás natural e do GNV baixou em Santa Catarina, conforme dados públicos atualizados pela SCGÁS, concessionária do serviço no estado. Entre janeiro e junho de 2026, houve redução de 37% nas tarifas de gás natural, considerando os segmentos industrial, comercial, residencial e de gás natural veicular (GNV).
Lançamento do Pronampe/SC e do Pronampe Rural
No programa de governo, foi prometida a criação dos programas Pronampe SC e Pronampe Rural nos mesmos moldes do governo federal, com o objetivo de ofertar financiamentos para microempresas e empresas de pequeno porte, com prazo de 72 meses para pagar. Os programas foram criados, mas não ofereceram o prazo máximo prometido.
O que diz o governo: Sobre o prazo para quitação dos financiamentos, justificou que o limite de até 48 meses adotado nos programas foi definido a partir de critérios técnicos e segue parâmetros utilizados em outras linhas de crédito com características semelhantes operadas pelo Estado. Disse também que os estudos realizados indicaram que esse prazo atende às necessidades da maioria dos tomadores de crédito, permitindo ampliar a capilaridade das ações.
Créditos
Apuração: John Pacheco e Sofia Mayer
Edição: Vitor Januário e Felipe Turioni
Design: Kayan Albertin
Coordenação: Felipe Turioni, José Lopes e Megui Donadoni
Jorginho Mello, governador de SC.
Marlon Linhague